Monday, August 13, 2012

RCA Victor coletaneas

Coletânea musical segundo a Wikipedia: uma coletânea musical é um conjunto de canções selecionadas de albuns, compactos-simples ou duplos de diversos artistas com um tema em comum. Um exemplo são LPs contendo músicas de Natal, canções de filmes, ou artistas de um determinado país como os sucessos alemães lançados pela Telefunken-Continental e Polydor no final dos anos 1950s.
Long-play com coletâneas de sucessos italianos se tornou uma atividade rendosa para as gravadoras OdeonChantecler e principalmente a RCA Victor, que a partir de 1963 lança 'Italia Moderna' e logo em seguida 'Alta Pressione'.

'Alta Pressione' original. O LP brasileiro (abaixo) tem a mesma capa, mas as musicas são diferentes.
'ALTA PRESSIONE' - BBL-150 - Novembro 1 9 6 3 

1.  Goccia di mare (Fidenco) - Nico Fidenco
2.  Guarda come dondolo (Rossi-Vianello) - Edoardo Vianello
3.  Amore twist (Bovenzi) - Rita Pavone
4.  Se le cose stanno così (Ferzeh-Luis Enriquez) - Sergio Endrigo
5.  Ti ho conosciuto (Rossi-Dansavio) - Rosy
6.  Sole, non calare mai (Migliacci-Meccia-Umiliani) - Gianni Meccia

1.  Sapore di sale (Paoli) - Gino Paoli
2.  Se mi perderai (Fidenco-Tassoni-Fidenco) - Nico Fidenco
3.  Abbronzadissima (Rossi-Vianello) - Edoardo Vianello
4.  Stringiti alla mia mano (Fidenco-Crusca) - Miranda Martino
5.  Verrà la luna (Migliacci-Meccia-Umiliani) - Gianni Meccia
6.  So long (Rossi-Claudio-Bezzi-Arden) - Rosy

As musicas em negrito amarelo são as que tocavam nas radios de São Paulo. A música em negrito amarelo claro é a minha preferida do LP.

'Alta Pressione' foi o segundo LP de coletânea de sucessos italianos, mas foi o primeiro a ter grande vendagem. O esquema era simples: o produtor aqui em São Paulo pegava uma pilha de compacto-simples vindo da Italia, lá chamados de 45 giri, pois gravados nessa rotação, escolhia aqueles que ele achava que cairia no gosto popular do brasileiro e mandava prensar lado A e lado B. Portanto cada LP era composto de 6 compactos-simples. 'Alta Pressione' foi título de um programa para jovens produzido pela RAI-TV no final de 1962. A RCA Italiana aproveitou o nome e lançou um album de coletânea na Península. O produtor brasileiro só mudou a listagem das musicas e manteve a mesma capa.

A seleção feita aqui no Brasil ficou melhor que o original. 'Sapore di sale' é uma obra-prima de Gino Paoli sob todos os pontos de vista, e 'Se le cose stanno così', do incrível Sergio Endrigo também qualifica como obra-prima do amor negativista. Nico Fidenco em 'Se mi perderai' faz dueto com ele mesmo, uma técnica que ele usou (e abusou) em seus sucessos. Edoardo Vianello comparece com dois numeros fortíssimos; 'Guarda come dondolo', um twist irresistível, e 'Abbronzatissima', um sucesso-de-verão, com vozes e metais arranjados à la Ray Conniff... ouça e confira a mãozinha de Conniff aí. 

'Stringiti alla mia mano' é uma composição de Nico Fidenco meio celestial, que ele deu para a grande Miranda Martino interpretar. Fidenco tinha rompantes de lirismo musical muito incríveis. Compare essa com 'Ciò che rimane alla fine di un amore' do 'Gioventù' e veja que corre aí uma linha celestial... Nico tinha algo a ver com os anjos e o angelical!
Para terminar, deveria ressaltar a presença de Rosy, cantora super-competente, que não teve sorte de vôos mais altos, talvez pelo aparecimento do 'vulcão' Rita Pavone que foi arrebatando tudo em seu caminho. Rosy canta 'Ti ho conosciuto', que la Pavone também gravou em seu LP de estréia. 'So long' está entre as faixas do 'Alta Pressione'. 
'Gioventù' com capa feita no Brasil, mas seleção vinda toda da Italia, adaptada ao gosto brasileiro.

'GIOVENTÙ' - BBL-157 - Março 1 9 6 4 

1.  Se mi vuoi lasciare (Rosario Leva-Gian Piero Reverberi) - Michele
2.  Non è facile avere 18 anni (Andrea Bernabini) - Rita Pavone
3.  Hud (Elmer Bernstein-Fidenco) - Nico Fidenco (from Martin Ritt's 'Hud' with Paul Newman)
4.  Era d'estate (Sergio Bardotti-Endrigo) - Sergio Endrigo
5.  Domani (Paoli) - Gino Paoli
6.  I Watussi (Rossi-Vianello) - Edoardo Vianello

1.  Ciò che rimane alla fine di un amore (Fidenco) Nico Fidenco
2.  Cosa vuoi da me? (Rosario Leva-Gian Piero Reverberi) - Michele
3.  Son finite le vacanze (Pelleschi-Carlo Rossi) - Rita Pavone
4.  Annamaria (Endrigo) - Sergio Endrigo
5.  O mio Signore (Mogol-Vianello) - Edoardo Vianello
6.  Basta chiudere gli occhi (Paoli) - Gino Paoli

'Gioventù' foi, sem dúvida, o LP de coletânea mais popular lançado pela RCA. Ficou em 1o. lugar por muito tempo, competindo com 'Meus 18 anos' da Rita Pavone e 'O Fino da Bossa' da RGE. Musicas italianas tocavam no radio o dia inteiro. Parecia que, de-repente, o Brasil tinha descoberto que existia uma Italia.

A 'invasão italiana' começou em 1963, teve seu auge em 1964, continuou firme em 1965, competiu com uma pequena invasão de musica francesa em 1966, atravessou 1967, mas foi mortalmente atingida em 1968.
Nico Fidenco evitava aparecer nas capas de seus discos pois sua calvice estava em estado adiantado. Em seu lugar apareciam moças geralmente loiras. 'Ciò che rimane alla fine di un amore' (O que resta do fim de um grande amor) é, talvez, sua melhor composição e gravação.
Estudios e fabrica de discos da RCA Italiana na Via Tiburtina, km.12 em Roma. Da Italia para o mundo!
1st March 1962.
July 1962.
areal view of Via Tiburtina, Km. 12

'VIA TIBURTINA, KM.12' - BBL-164 - Junho 1 9 6 4 

1.  Scrivi (Lady love) Charlie Rich; v.: Rossi - Rita Pavone
2.  Con te sulla spiaggia (Mogol-Fidenco) - Nico Fidenco
3.  Ora che sai (Endrigo-Enriquez) - Sergio Endrigo
4.  In ginocchio da te (Franco Migliacci-Bruno Zambrini) - Gianni Morandi
5.  Lei stà con te (Your other love) Claus Ogerman-Ben Raleigh; v.: Paoli-Bardotti - Gino Paoli
6.  Vieni al mare (Ronnie) Martin; v.: Mogol-Testa - La Cricca

1.  Surf delle matonelle (Rossi-Ciacci) -  La Cricca
2.  Non mi chiedi mai (Fidenco-Pedersoli) - Nico Fidenco
3.  Hully-Gully in dieci (Traditional; arrangement: Migliacci-Vianello) - Edoardo Vianello
4.  Non te ne andare (Meccia-Fontana) - Jimmy Fontana
5.  Idolo nero (Paoli-Fusco) from 1963 film 'Violenza segreta' - Gino Paoli
6.  Pel di carota (Migliacci-Morricone) - Rita Pavone

Via Tiburtina, km.12 era meu favorito LP de coletânea. 'Scrivi' com Rita Pavone era o destaque, mas havia coisas lindas como 'Ora che sai' com Sergio Endrigo, 'In ginocchio da te' com Gianni Morandi e um conjunto de rock italiano mais louco de todos: La Cricca, cantando 'Il surf delle mattonelle', que era um 'Datemi un martello' com anabolizante. A capa trazia uma linda foto colorida da sede da RCA Italiana, o maior e melhor estúdio de gravação do mundo. Dava água na boca!

Contra-capa de 'Via Tiburtina, km.12' trazia fotos dos jovens astros italianos e até os não-tão-jovens como Nico Fidenco e Gino PaoliJimmy Fontana comparecia com a linda 'Non te ne andare'; à direita letra de Carlo Rossi para melodia de Enrico Ciacci: 'Il surf delle mattonelle'. 
jovem Gianni Morandi mostra o logo da RCA Italiana com orgulho em 1963.

1965 a RCA lança 'Benissimo' e 'Ti Amo'. Ambos campeões de vendagam.

'BENISSIMO' - BBL-169 - Novembro 1 9 6 4   

1.  L'amore mio (Remember me) Shelley Coburn; v.: Migliacci - Rita Pavone
2.  A casa d' Irene (Franco Maresca-Mario Pagano) - Nico Fidenco
3.  Eravamo amici (Shel Carson Combo; v.: Rossi) - Dino
4.  Se ti senti sola (Migliacci-Luis Enriquez) - Giancarlo Guardabassi
5.  Tremarella (Rossi-Alicata-Vianello) - Edoardo Vianello
6.  Il mio mondo (Paoli-Bindi) - Umberto Bindi

1.  Ti ringrazio perchè (Sergio Bardotti-G.F.Reverberi-G.P.Reverberi) -  Michele
2.  San Francesco (San Francisco de Asisi) Lake-Green-Marmion; v.: Migliacci - Rita Pavone
3.  La cabina (Rossi-Meccia) - Gianni Meccia
4.  Meglio stasera (Henry Mancini-Migliacci) - Miranda Martino - from the film 'Pink Panther'
5.  Se puoi uscire una domenica sola con me (Guardabassi-Zambrini) - Gianni Morandi
6.  E quanto tempo durerà? (Meccia-Fontana) - Jimmy Fontana

A italianada continuava dominando as paradas de sucesso no Brasil. Pelo menos 7 dessas músicas dessa seleção tocavam regularmente no radio, sendo que 'Tremarella' foi vertida e cantada por Renato & seus Blue Caps, da nascente Jovem Guarda.  'La cabina', do Gianni Meccia tocou muito, mas o maior sucesso dessa coletânea foi 'A casa d' Irene', de Nico Fidenco, que narra os arredores lúgubres de uma casa de prostituição situada perto do inferno. 'Meglio stasera' com Miranda Martino era musica de Henry Mancini com letra de Migliacci, que apareceu na trilha-sonora do filme original 'The Pink Panther' [ 'A pantera cor-de-rosa'] de Blake Edwards.

'TI AMO' - BBL-170 - Abril 1 9 6 5 

1.  Peccato che sia finita così (Warum nur warum?) Udo Jürgens; v.: Migliacci - Pierfilippi
2.  Il mondo (Meccia-Fontana-Pes) - Jimmy Fontana
3.  Ti amo (Calabrese-G.F. Reverberi) - Sergio Endrigo
4.  Nessun' altra che te (Mogol-Testa-Pallavicini-Renis) - Tony Renis
5.  Ballo della bussola (Zambrini-E.Ciacci-Migliacci) -  Dino
6.  Prima di vederti (G.Paoli) - Gino Paoli

1.  Dopo i giorni dell' amore (Bardotti-G.P.& G.F. Reverberi) - Michele
2.  Solamente mia (Migliacci-Zambrini) - Giancarlo Guardabassi
3.  Se non avessi più te (Migliacci-Enriquez-Zambrini) - Gianni Morandi
4.  Stasera sogno (Lina Wertmüller-Nino Rota) - Rita Pavone
5.  L'uomo che non sapeva amare (Love theme from 'The Carpetbaggers') Elmer Berstein; v.: Pallavicini-Mogol - Nico Fidenco
6.  Vivrò (Ma vie) (Barrière; v.: Paoli-Bardotti) - Alain Barrière

Embora não haja um super-sucesso nessa coletânea, nota-se que ela vendeu bem, pois se acha muito desses LPs nos sebos de São Paulo. Nota-se pela numeração, que 'Ti amo' foi lançado praticamente no mês seguinte a 'Benissimo'. Eu diria que não é uma compilação competitiva, pois, no caso de Rita Pavone, escolheram 'Stasera sogno', uma música de um LP temático dela, sem muito apelo à parada de sucesso, quando poderiam ter incluído 'Lui', muito mais ritmada e dançável. A RCA do Brasil começava a tropeçar na gerência de seu departamento italiano. Rita Pavone foi prejudicada, pois os lançamentos eram erráticos. O maior sucesso aí é 'Il lmondo', que foi p'ro 1o. lugar absoluto na parada, além de ter sido vertida e cantada por Wanderley Cardoso. Eu escolhi 'Il ballo della bussola', do jovem Dino como minha favorita, mas poderia muito bem ter sido 'Se non avessi più te', uma melodia tão linda que dói; uma obra prima do maestro Ennio Morricone na regência e Luis Enriquez na composição.

Em 1966 a RCA lança 3 coletâneas:  'Cantagiro', '...E più ti amo' e 'Fortissimo'.

'CANTAGIRO' - BBL-173 - Junho 1 9 6 5

1.  M' hanno detto che (Del Turco-Meccia-Endrigo) - Riccardo Del Turco
2.  La prima festa che darò (Specchia-Grelbin-Carrére) - Rosy
3.  Sulla terra ho solo te (Migliacci-Gian Claudio Mantovani) - Giancarlo Guardabassi
4.  Sono un ragazzo (Rossi-Robifer) - Roby Ferrante
5.  Tutto l'amore del mondo (Migliacci-Enriquez) - Rosy
6.  Il mio mondo (Paoli-Bindi) - Umberto Bindi

1.  Un tuffo al cuore (Rossi-Romitelli) -  Rosy
2.  Dimmi se vuoi (Del Turco-Enriquez) - Riccardo Del Turco
3.  Non ti ricordi più (Bardotti-A. Trovaioli) - Roby Ferrante
4.  Sulamente 'a mia (Migliacci-Zambrini) - Giancarlo Guardabassi
5.  Tu sei sempre (Rossi-Robifer) - Roby Ferrante
6.  Da' retta a me (Migliacci-Gian Claudio Mantovani) - Giancarlos Guardabassi

'Cantagiro' poderia ser chamado de 'experimental', já que excetuando Umberto Bindi com 'Il mio mondo', (já tinha aparecido um ano antes no 'Benissimo'), todos eram cantores iniciantes, ou pouco conhecidos. O nome 'Cantagiro' é enganador, pois Cantagiro era uma competição entre cantores que giravam a Italia em caravana dirigindo seus próprios carros durante parte de julho e agôsto. Não sei quem teve a idéia de chamar o LP de 'Cantagiro', já que nenhum desses cantores se destacaram nessa competição de três gradações: o 'Girone A' para 'estrêlas' tipo Pavone, Morandi, Michele; o 'Girone B' para iniciantes e o 'Girone C' para conjuntos 'beat' (a partir de 1966).  

Apesar de ser o LP de menor sucesso, excetuando, talvez "Italia moderna', não deixa de ter suas qualidades. Riccardo Del Turco começa o disco com 'M' hanno detto che', uma balada muito bonita, composta por Sergio Endrigo, entre outros. Rosy é, na verdade, a estrelinha desse micro-sulco, cantando três faixas, incluindo 'Un tuffo al cuore', minha preferida aí. Rosy tinha tudo p'ra dar certo, mas não conseguiu competir com Rita Pavone, e acabou 'morrendo na praia'. Era ótima cantora.

Roby Ferrante, chamado na Italia de 'Paul Anka italiano' era compositor de mão-cheia, tendo feito 'Alla mia età' para Rita Pavone e 'Ogni volta', que ele e Paul Anka defenderam no Festival di San Remo de 1964. Ferrante participou do 'Alta Pressione' italiano, mas nunca conseguiu 'estourar' nas paradas. Acabou morrendo, prematuramente, num acidente de carro numa estrada da Península. Ele comparece em três faixas aqui.

E, finalmente, Giancarlo Guardabassi, que aparece em outras três faixas, incluindo duas cantadas em napolitanoGuardabassi e Del Turco foram os únicos dessa lista a se apresentarem no Teatro Record de São Paulo em 1965, numa tournee de 3 cantores e 3 cantoras jovens pouco conhecidos, aproveitando a onda da musica italiana então. O maior sucesso de Guardabassi foi 'Se ti senti sola', ('Benissimo'). 
Que vexâme a RCA do Brasil fêz! Pegou a capa do 2o. LP de Michele e o transformou na coletânea '... E più ti amo'! A RCA, que desde 'Gioventù' produzia capas aqui com modelos brasileiros, ficou com preguiça e reverteu ao antigo macete de adaptar aqui e cortar alí, que seria o atual 'copiar & colar'! Che vergogna!
'... E PIÙ TI AMO' - BBL-191 - Outubro 1 9 6 5 

1. Tu non mi lascerai (Galdieri-D'Anzi) - Nico Fidenco
2.  Supercalifragilistic-espiralidoso (R.M. & R.B. Sherman; v.: Amurri-Pertitas) - Rita Pavone
3.  Sarei felice (Sestili-Mazza) - Gianni Mazza
4.  Ti senti sola stasera (Are you lonesome tonight?) Turk-Handman; v.: Misselvia  - Michele
5.  Parlami di te  (Pallavicini-Vianello) -  Edoardo Vianello
6.  ... E più ti amo (Plus je t'entends) Barrière; v.: Paoli - Alain Barrière

1.  Si fa sera (Amurri-De Martino) - Gianni Morandi
2.  Le cose più importanti (Bardotti-Dansavio) - Gianni Mazza
3.  C'è una strana espressione nei tuoi occhi (When you walk in the room) DeShannon; v.: D.Shapiro - The Rokes
4.  Plip (Migliacci-Mantovani-Meccia) - Rita Pavone
5.  Quatro stagioni per non amarti (Camucia-Sentieri) - Alain Barrière
6.  Pensiamoci ogni sera (Boncompagni-Fontana-Pes) - Jimmy Fontana

O terceiro LP de coletânea do ano de 1965 não é um dos melhores tampouco. 65 não foi um ano auspicioso para a RCA Victor. O maior sucesso aí foi 'Si fa sera' com Gianni Morandi. O canção-título, '... E più ti amo', vertida por Gino Paoli do francê 'Plus je t'entends', um dos maiores sucessos de Alain Barrière tocou muito no radio, tendo tido versões com Agnaldo Rayol [A tua voz] e The Clevers [A tua voz]. Note que Alain Barrière cantas bem o italiano, e cá entre nós, a orquestração italiana ficou melhor que o original francês. Os italianos tinham um toque especial.

'Parlami di te', que Edoardo Vianello apresentou em San Remo em 1965 junto com Françoise Hardy é a melhor musica do disco. O conjunto inglês The Rokes, que Teddy Reno trouxe para a Italia em 1963, finalmente começa a fazer sucesso lá e também aqui, com 'C'è una strana espressione nei tuoi occhi', versão de 'When you walk in the room', hit da Jackie DeShannon com The Searchers.

Rita Pavone vem com dois 'abacaxis'; a versão italiana da musica mais imbecil da trilha-sonora de 'Mary Poppins'. Pavone começou a tropeçar em sua carreira com esse horror chamado 'Supercalifragilistic-espiralidoso', que foi, infelizmente,vertida para o português e cantada pela Denise Barreto, que tentava emplacar na Jovem Guarda. Coitada da Denise; com um abacaxi desses ela não teria muitas chances. 'Plip', a segunda contribuição de Pavone não é tão ruim, mas chega perto. Enfim, Pavone deixou o rock'n'roll para se afogar num mar de lama de mediocridade pseudo-infantil.

Michele, um cantor que sempre imitou Elvis Presley, resolveu 'tirar a máscara' e cantar 'Ti senti sola stasera', versão italiana de 'Are you lonesome tonight?'. Fez sucesso lá, mas aqui ninguem tocou, ninguem ouviu. Roubaram a capa do 2o. LP de Michele, e escolheram uma musica dele que poderia ser melhor. Aliás, Michele, como la Pavone, apresentava sinais de derrapagem na pista do sucesso. 

Por fim, aparece Gianni Mazza, um valor novo cantando direitinho duas baladas bonitas e melodiosas, embora para bem da verdade tenho que dizer que eu achei 'Sarei felice' uma cópia quase que completa de 'Ciò che rimane alla fine di un amore', de Nico Fidenco [vide 'Gioventù']. Mazza praticamente canta a mesma melodia, com acompanhamento orquestral semelhante, apenas subindo de tom duas vêzes e não desembocando no final apoteótico do Fidenco. Para aqueles que gostam de descobrir plágios, é um prato cheio.

Nota: a partir de '... E più ti amo', aparecem nas contra-capas das coletâneas o nome de Henrique Gastaldello, produtor da RCA Victor do Brasil.  

Em 1966 a RCA lança apenas uma coletânea: 'Fortissimo'.

'FORTISSIMO' - BBL- 198 - Abril 1 9 6 6 

1.  Fortissimo - Rita Pavone
2.  Ascolta nel vento [The wind will carry them by] - The Rokes
3.  Lontano, lontano - Luigi Tenco
4.  Ora tocca a te - Edoardo Vianello
5.  Mi vedrai tornare - Gianni Morandi
6.  File d' automobile - Nico Fidenco
7.  Il geghegè - Rita Pavone

1.  Notte di Ferragosto - Gianni Morandi
2.  La notte che son partito - Jimmy Fontana
3.  Che cos'è l'amore? - Nico Fidenco
4.  La sai troppo lunga - Rita Pavone
5.  Ci sono cose più grandi - Tony Renis
6.  Che colpa abbiamo noi? [Sheryl's going home] - The Rokes
7.  La fisarmonica - Gianni Morandi

'Fortissimo' teve a distinção de resgatar Rita Pavone da lama da mediocridade depois daqueles horrores. 'Fortissimo', talvez  seja seu sucesso mais bonito, competindo forte com 'Cuore'. Em 1966 Rita voltou à toda na Italia, mas por aqui ela estava sendo esquecida aos poucos. Em 1967 seria lançado aqui o filme 'O Mosquito' [La Zanzara], que traria o nome de Rita de volta às mentes brasileiras, mas em 1966,  'Fortissimo' quase passou batido, mesmo sendo uma obra-prima.

Nota-se pela falta de 'negritos' aí, que os sucessos italianos já não tocavam nas radios como antigamente. Provavelmente por causa do advento da Jovem Guarda a partir de 22 de agosto de 1965. Mesmo assim as coletâneas continuavam a vender bem. Eu, por exemplo comprava todas, sendo um aficionado italiano inveterado.

Nico Fidenco estava cada vez mais apagado. Edoardo Vianello não lançava mais nada extraordinário. Gino Paoli tinha se mudado p'ra RicordiSergio Endrigo tinha ido p'ra Cetra.

The Rokes era a grande novidade. Eu gostava do som metálico de suas guitarras e a maneira alta de cantar. 'Ascolta nel vento' é muito linda, versão de 'The wind will carry them by', composição deles mesmo. 'Che colpa abbiamo noi?' uma versão de 'Sheryl's going home' do norte-americano Bob Lind ficou muito incrível em italiano, dando-lhe um toque de rebeldia que não havia no original. Os jovens italianos idolatravam The Rokes, mas aqui quem fazia suscesso era Renato & seus Blue Caps.

Luigi Tenco era recem-contratado da RCA Italiana, mas 'Lontano, lontano' [Longe, longe] não era empolgante no melhor sentido da musica italiana que sempre foi exuberante. Tenco era meio depressivo; dá para notar pelo título da musica!

Em 1967 é a vez de 'Fortissimo Volume II'...
'FORTISSIMO -Volume 2' - BBL-202 - Março 1 9 6 7 

1.  Quando dico che ti amo - Tony Renis
2.  L'amore se ne và - Carmelo Pagano
3.  C'era un ragazzo che come me amava i Beatles e i Rolling Stones - Gianni Morandi
4.  Dove non so (Lara's Theme) - Rita Pavone
5.  Bisogna saper perdere - Lucio Dalla
6.  Nasce una vita - Jimmy Fontana

1.  Piangi con me - The Rokes
2.  Guantanamera - Jimmy Fontana
3.  La ragazza di Liverpool - Tony Renis
4.  Questa volta - Carmelo Pagano
5.  Se perdo anche te (Solitary man) - Gianni Morandi
6.  Ciao amore ciao - Luigi Tenco

 É incrivel que ao fazer essa resenha eu consigo ver nítidamente o início, meio e fim da Invasão Italiana no Brasil. Os altos e baixos dos italianos em nossa parada de sucesso. Esse 'Fortissimo - Volume 2' é uma radiografia do que acontecia naquele tempo. Foi o último LP de coletâneas que eu comprei. Por que da decadência dos italianos entre nós?  Primeiro foi a Jovem Guarda que a partir de agosto de 1965 era um ímã para os adolescentes que antes comprariam Rita Pavone e ou Edoardo Vianello. A Invasão da Musica Anglo-Americana foi a segunda razão... foi o prego final no caixão da Musica Italiana no Brasil.

Já no final de 1967, mas principalmente a partir de 1968, a musica anglo-americana estava começando a dominar nossas paradas. A Radio Difusora começou a tocar

'Fortissimo-Volume 2' foi o ultimo LP de coletâneas que eu comprei em Abril de 1967. Coincidiu com a decadência da musica italiana no Brasil. A melhor faixa do disco é 'Ciao amore ciao', a despedida de Luigi Tenco antes de dar um tiro na cabeça. Parece que a musica italiana morreu junto com o Luigi Tenco naquela fria manhã de inverno em fevereiro de 1967 em San Remo. The Rokes com 'Piangi con te' foi a que mais tocou nas radios brasileiras.
A partir de 1968 a musica italiana já mostrava sinais de esgotamente entre o público brasileiro, que estava sendo bombardeado de músicas norte-americanas, com a implantação de duas emissoras que tocavam somente musicas em inglês: Radio Excelsior e Radio Difusora.
Caixa de inúmeros LPs lançados pela RCA Victor em parceria com a Readers' Digest em 1966.
Note que os LPs eram apresentados em versões Mono e Stereo, mesmo que fossem o mesmo som nos dois canais.
O leitor escolhia seus 10 LPs favoritos, que vinham em caixa com essa ilustração.
Nessa coletânea a RCA Victor só escolheu os sucessos que realmente tocaram nas radios brasileiras.
'SUCESSOS DE NOSSOS DIAS' - BMIS-7 -  1 9 6 6  da coleção 'LA BELLA MUSICA ITALIANA'

1. Domani - Gino Paoli
2. Ti ringrazio perchè - Michele
3. Un uomo che ti ama - Umberto Bindi
4. A casa d' Irene - Nico Fidenco
5. Meglio stasera - Miranda Martino
6. Se puoi uscire una domenica sola con me - Gianni Morandi

1. Il mondo - Jimmy Fontana
2. O mio Signore - Edoardo Vianello
3. Annamaria - Sergio Endrigo
4. Sul cucuzzolo - Rita Pavone
5. La cabina - Gianni Meccia
6. Se ti senti sola - Giancarlo Guardabassi

ODEON, FERMATA & RGE compilation albums

By mid-1964 all record labels already knew there was money to be made with Italian-compilation albums. Following RCA Victor's lead in the field EMI-Odeon released 2 albums in that year: 'Musica giovane dall' Italia' which spawned a #1 (Richard Anthony's 'Cin cin') and two Top-10 entries: Richard Anthony's 'Per questa volta' and Pino Donaggio's 'Motivo d'amore'. 
a Odeon lança 'Musica Giovane dall' Italia' com 'Cin cin' (Richard Anthony) que foi p'ro 1o. lugar da Parada; 'Parlami d' amore Mariù' regravação de Peppino Di Capri; 'Per questa volta' (Richard Anthony) e a sinfônica 'Motivo d' amore' do inspiradíssimo Pino Donaggio
'Musica giovane dall' Italia' - MOFB-265 - 1964

1. Ti guarderò nel cuore - Tony Renis
2. Cin cin (Cheat cheat) - Richard Anthony
3. Motivo d'amore - Pino Donaggio
4. La vela bianca - Gilbert Becaud
5. Pietà - Vasso Ovale
6. Parlami d'amore Mariù - Peppino Di Capri

1. Per questa volta (Too late to worry) Burt Bacharah-Hal David; v.: Mogol-Garavaglia - Richard Anthony
2. Se ritornerassi - Gilbert Becaud
3. 8 1/2 (Otto e mezzo) - Tony Renis
4. Il domani è nostro - Pino Donaggio
5. È l'uomo per me - Milli Nobili 
6. Torna piccina mia - Peppino Di Capri 
Pino Donaggio's 'Motivo d'amore'; Richard Anthony's 'Cin cin'.
'Per questa volta' was Anthony's 2nd hit in a row; Gilber Becaud sings in Italian too.
'Itália' - segunda coletânea da Odeon de 1964 com o classico 'Come sinfonia' (Pino Donaggio); 'La mia festa' (Richard Anthony) versão de 'It's my party'; 'Pera matura' (Pino Donaggio) que teve versão aqui por Ronnie Cord e 'Il mio mondo' (Richard Anthony) do inspirado Umberto Bindi.
'Italia' - MOFB-304 - late 1964

1. Come sinfoniaPino Donaggio
2. Nun è peccato – Peppino Di Capri
3. Amor – Tony Renis
4. La mia festa (It’s my party) – Richard Anthony
5. Sulla spiaggia non si può – Vanna Brosio
6. Morire a Capri – Gilbert Becaud

1. Il mio incubo – Peppino Di Capri
2. Pera matura – Pino Donaggio
3. Il mio mondo (Bindi) – Richard Anthony
4. Toi – Gilbert Becaud
5. Così  (Vicino a me) – Marcellino
6. Il cuore a San Francisco – Nicola Arigliano
LPs de coletâneas de sucessos italianos não eram exatamente algo inusitado, pois isso já acontecia desde a 1a. Invasão Italiana, aquela capitaneada por 'Nel blu dipinto di blu' em 1958, mas a partir de 1963 esses LPs se tornaram campeões-de-vendagem. Sendo assim, a Fermata lançou 'Dolce Vivere' em 1964, sendo 'Non lo farò mai più' com a novata Isabella Ianetti, a música mais tocada. Me lembro que tocava muito no programa 'Telefone pedindo bis' de altíssima audiência da Radio Bandeirantes de São Paulo, do DJ Enzo de Almeida Passos. Só a título de curiosidade: 'Non lo farò mai più', é, na verdade uma versão de 'Chain gang' de Sam Cooke

Os italianos tinham esse péssimo costume de fazerem versões de sucessos norte-americanos e não darem crédito aos verdadeiros autores. Isso até que Ben E. King meteu um baita de um processo contra Adriano Celentano que roubou seu 'Stand by me' e a transformou em 'Pregherò'. Depois do processo, tiveram que pagar um bagatela ao King... mas vergonha, que é bom, eles nem ligaram... 
Fermata tinha contrato para distribuir os discos da Durium italiana no Brasil.  Contra-capa do 'Dolce Vivere', onde se vê um LP de Adriano Celentano, o cantor mais popular da Itália, mas que, misteriosamente, nunca conseguiu fazer sucesso fora de seu país. O mesmo fato curioso se passou com Mina, sem dúvida a maior cantora italiana. Mina nunca conseguiu um sucesso siquer no Brasil. E não foi falta de divulgação, pois 'Studio Uno '65', que Mina comandava, chegou a ser televisionado todas quarta-feiras pela TV Tupi no início de 1966.
'Eletrizzante', coletânea italiana da RGE

RGE representava a CGD - Compagnia Generale di Dischi, cuja principal figura era a jovem Gigliola Cinquetti, que venceu o Festival di San Remo em 1964 com a chorosa 'Non ho l' età' (Per amarti) (Não tenho idade para amar-te). Na falta de outros campeões, a RGE bisa e trisa Gigliola com 'Il primo bacio che darò' e 'Sei un bello ragazzo'. 

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até a Mocambo entrou na 'tarantella' fonográfica italiana, lançando 'Un giro in Italia' em 1965.
'Quem não tem cão, caça com gato!' - Mocambo lança um LP de 'covers' com cantores desconhecidos. Afinal, guerra é guerra e a 'nanica' pernambucana não poderia ficar atrás. Sucessos de Rita Pavone (Sul cucuzzolo), John Foster (Amore scusami), Mina (Città vuota) foram rapidamente gravados por terceiros e quartos...
Fermata do Brasil tinha contrato para prensagem e distribuição de várias etiquetas italianas, entre as quais a pequena Style. Em Outubro 1965, aproveitando o sucesso estrondoso de 'Amore scusami' do cantor-jornalista John Foster, nome-de-guerra de Paolo Occhipinti, colunista da revista 'Oggi', a Fermata lançou esse longa-duração com maioria de cantores desconhecidos.

A grande novidade foi a inclusão do brasileiro Juca Chaves cantando 'Pequena marcha para um grande amor' em italiano. Chaves tinha se auto-exilado desde 1963, temeroso que certa camarilha de militares do Exercito Brasileiro o prendesse ou assassinasse, já que Juca tinha 'zombado' da 'honra' do Exercito em uma paródia chamada 'Brasil já vai a guerra', onde o Juquinha denunciava alta corrupção entre a elite fardada na compra de um porta-aviões inglês sucateado... 'Um viva p'ra Inglaterra de oitenta e dois bilhões... ai que ladrões!'  Depois dessa musica, Juquinha achou melhor procurar segurança lá pelas Europas, vivendo um tempo em Portugal. Depois, achando melhor sair da terra de Salazar, foi para a Italia, onde ficou relativamente conhecido, tendo gravado um LP inteiro para a Style.
Realmente, essa coletânea não tem nada de especial, exetuando o John Foster e Juca Chaves. Talvez a inclusão de 'Goldfinger', mega-sucesso de Shirley Bassey do filme de mesmo nome, mas aqui defendido por Vanna Scotti, uma total desconhecida

1. Arriverderci amore mio – John Foster
2. Stasera partiro – Nelia Bellero
3. Piccola marcia per un grande amore – Juca Chaves
4. Meritero il tuo amore – Robert Giamba
5. Amore scusami – John Foster
6. Tu vivevi per me – Leo Sardo

1. A gonfie vele – John Foster
2. I giorni miei – Nelia Bellero
3. Se tornerai – Roberta Giamba
4. Ho visto pregare il mio amore – Vittorio Bellani
5. Goldfinger – Vanna Scotti
6. Bistecche e spinaci – I Mimmo’s

leia mais sobre essa coletânea em: https://toquemusical.wordpress.com/2011/11/23/a-gonfie-vele-196/#respond
Por causa de 'Brasil já vai à guerra' (vide letra no final da página), Juca Chaves têve que se exilar na Europa. Aqui ele  ao lado de Sergio Endrigo na Italia em 1964.
aqui o compacto-simples de Juca Chaves pela Fermata com 'Piccola marcia per un grande amore' em italiano. O original em português tinha sido lançado pela Odeon em 1962.
45 giri italiano com Juca Chaves.
Coletânea da Fermata com sucessos apresentados no Festival di San Remo de 1965, gravados pela Ri Fi italiana.
contra-capa do LP da Fermata/RI-FI com as melhores de San Remo '65.
compacto-simples da Fermata, com Mina cantando 'Se piangi, se ridi'.

Mina era a mina de ouro da RiFi. Mina não participava do Festival pois não precisava de publicidade; ela tinha programa semanal na TV estatal italiana quando bem quisesse, mas sempre assistia o Festival pela TV e escolhia suas favoritas, que não eram, necessariamente as finalistas. Aqui, por mero acaso, Mina canta 'Se piangi, se ridi', a vencedora de San Remo '65, defendida por Bobby SoloTony Dallara, que foi quem praticamente introduziu o rock na Península, canta 'Io che non vivo', de Pino Donaggio e o maestro Augusto Martelli, que era o namorado de Mina na época, dirige sua orquestra em 'Le colline sono in fiore' e 'Prima o poi'.  

Na verdade Mina teve um pequeno sucesso entre nós com 'L'uomo per me', que vinha de 'Studio Uno '65'. Mais tarde, nos anos '70 Mina apareceu junto a Alberto Lupo com 'Parole, parole', mas aí já é outra história.
1966

ex-radialista de São Paulo, produtor Miguel Vaccaro Netto vai a San Remo em 1966 e lança um LP 'ao vivo' com as principais musicas do certame, que ele gravou diretamente das transmissões da Radio Monte Carlo. 
Miguel Vaccaro Netto, radialista, produtor de discos, agitador cultural era inimigo figadal de Walter Silva, DJ que dominava as 'air-waves' com o programa 'Pick-up do Pica Pau', que foi instrumental na nova tendência de se lançar discos de shows de bossa-nova gravados 'ao vivo' no Teatro Paramount de São Paulo.

Walter Silva produziu vários shows de bossa-nova em São Paulo a partir de 1963. Geralmente eram shows organizados por centros acadêmicos universitários, que foram se tornando cada vez maiores e mais elaborados. Em 1964, Walter produziu 'O Fino da Bossa', show no Teatro Paramount, que foi gravado pela RGE, lançado como long-playing indo para o 1o. lugar absoluto assim que chegou às lojas. 'O Fino da Bossa' transformou em sucesso musicas como 'Onde está você?' com Alaíde Costa'Tem dó', com Ana Lucia e 'Desafinado' com Wanda Sá. Até as participações jazzísticas do Zimbo Trio e o Quinteto de Oscar Castro Neves eram tocadas no radio. O sucesso foi fenomenal... e outros albuns 'ao vivo' começaram a aparecer. Isso tudo culminando em 1965 com 'Dois na Bossa' com Elis Regina & Jair Rodrigues que bateu todos os recordes de vendagem no país.

Tendo isso em mente, Vaccaro partiu para a Península com a intenção de gravar o Festival di San Remo. Na verdade o Miguel não precisou gravá-lo fisicamente, pois uma radio de Monte Carlo já o fazia. O que Vaccaro fêz, foi conseguir uma cópia da fita e lançá-la em formato de LP aqui no Brasil.

Só que havia uma grande diferença entre o público universitário paulistano, que se incendiava ao final de cada número de bossa-nova, e o frio público italiano que assistia as apresentações do Festival no Cassino di San Remo. Então, o que se escuta nesse LP é um desfile de músicas bem cantadas ou tocadas, mas sem o ardor e a vibração que um disco 'ao vivo' deveria ter. Mesmo assim não deixa de ser louvável que um LP assim exista, já que os italianos nunca se importaram com musica 'ao vivo'. Aliás, o público italiano nunca foi muito afeito a LPs, sempre preferindo os compactos-simples, lá chamados de 45 giri. 

A vencedora de 1966 foi a chorosa 'Dio come ti amo', defendida pela chorona Gigliola Cinquetti. Tudo muito morno e com pouco tempero. A melhor gravação aí, na minha opinião, é 'Il ragazzo della Via Gluck' com Adriano CelentanoCaterina Caselli, que foi a grande sensação de 1966, canta 'Nessuno mi può giudicare' com verve, mas não é lá uma musica que exceda as expectativas. A gravação 'ao vivo' não consegue captar a 'garra' que a gravação de studio tem.

Milva, por ter uma voz metálica, sai-se melhor com 'Nessuno di voi', uma balada apenas regular, mas que se agiganta na voz da 'Tigre di Cremona'

Valeu o esforço do Miguel Vaccaro Netto. Não aconteceu nada do que ele esperava, pois o disco não tocou no radio, nem deve ter tido uma vendagem 'monstro'. Até hoje ainda não se tornou um 'item-de-colecionador'... mas deveria, pois esse disco é único; não há similar e deveria ser mais valorizado.
contra-capa de LP de Juca Chaves lançado pela Style na Italia em 1966.

Il primo album in italiano di Juca Chaves, cantautore brasiliano che nel 1964 venne in Italia con le sue canzoni umoristiche e non. Non ebbe molto successo ma il suo modo strano di cantare unito al suo accento particolare, fece sì che il pubblico di appassionati di musica leggera lo notò. La Style - etichetta italiana - lo affidò a Giorgio Calabrese, col quale collaborò - con fasi alterne - per un paio di anni. Ritornò in Italia verso il 1970, quando l'attenzione verso un certo tipo di musica era sicuramente più ricettiva. Ma il grande successo, quello vero, da noi non gli arrise mai. Eccolo, quel famoso album del 1966. Texto de Vampiro.

Juca Chaves - Juca Chaves 1966

1.  Piccola marcia per un grande amore (G.Calabrese-J.Chaves)
2.  Cantata per la contessa Alessandra (G.Calabrese-J.Chaves)
3.  Vieni con me a Rio (G.Calabrese-J.Chaves)
4.  Ah, Lucia, se sapessi ...(G.Calabrese-J.Chaves)
5.  E' vero ti amo (G.Calabrese-J.Chaves)

1.  O naso mio! (G.Calabrese-J.Chaves)
2.  Menina (G.Calabrese-J.Chaves)
3.  Cantiga d'amor (G.Calabrese-J.Chaves)
4.  Per chi sogna Annamaria? (G.Calabrese-J.Chaves)
5.  Il vs. aff.mo Juca (G.Calabrese-J.Chaves)

1968

San Remo 1968 - Discos Som / Maior
com a Orquestra de Vittorio Paltrinieri da C.D.M. Telerecord

'Canzone per te' do magnífico Sergio Endrigo venceu o Festival di San Remo de 1968. Para nós, brasileiros, foi algo importante, pois Roberto Carlos, a figura musical mais popular do país, teve a suprema sorte de estar na 'dobradinha' com Endrigo, e assim levou parte dos louros recebidos pelo grande compositor-cantor.

Fora o fato de 'Canzone per te' com Roberto Carlos cantando em italiano ir para o 1o. lugar aqui no Brasil, na verdade, a musica italiana estava sendo empurrada p'ra fora pela 'invasão da musica anglo-americana' que a partir de 1968 tinha, pelo menos, duas rádios em São Paulo que tocavam exclusivamente musicas em inglês: Radio Excelsior e Radio Difusora. Era o fim do domínio italiano de nossas paradas. 

Apesar disso, San Remo 1968 foi forte no quesito 'melodia', pois além da linda 'Canzone per te', ainda deu ao mundo 'Gli occhi miei', que Tom Jones verteu para o inglês como 'Help yourself' e se tornou sua 'signature melody'. 'Quando m' innamoro', que Engelbert Humperdinck transformou em 'A man without love'. 'La tramontana', que foi p'ro 1o. lugar na Italia com Antoine, o 'Bob Dylan francês'. 'Deborah' defendida por Wilson Pickett e gravada por MinaFausto Leali e outros. 'La siepe', uma linda melodia literalmente berrada por Al Bano, além de 'Canzone' de Don Backy, que se tornou um classico instantâneamente. Enfim, San Remo 1968 foi muito bom... mas aqui no Brasil, fora o 'azarão' Roberto Carlos, nada aconteceu.

Esse LP da Som Maior é indicativo de como funcionavam as gravadoras em relação ao Festival di San Remo. As maioria das gravadoras italianas montavam um esquema de gravar o maior numero de melodias apresentadas em San Remo que elas pudessem. Mesmo as 'nanicas', como é o caso aqui, uma gravadora chamada C.D.M. Telerecord, que contratou um maestro, provavelmente desempregado, deu-lhe a tarefa de arranjar 24 musicas, contratar dois ou três cantores, cujos nomes nem aparecem no disco, e ... pronto, já temos um LP prontinho para lançamento na Itália e em outros países. Aqui no Brasil, a Som Maior, também 'nanica', pega a matriz que veio via aérea pela Alitalia, prensa alguns milhares de LPs que são distribuídos pelas lojas das cidades.

Assim era em 1968... a musica italiana perdendo seu lugar de 'rainha' no Brasil.

Tuesday, July 10, 2012

Copertine - sleeves - capas-de-discos



Tony Dallara, aqui lançado pela Mocambo.


Pino Donaggio em LP italiano nunca lançado aqui.


'Sono nato con te' / 'L'ultima telefonata' - double-sided hit.


O melhor album de Donaggio, na minha opinião.


LP de Edoardo Vianello que nunca chegou entre nós, brasileiros.


45 rpm 'Che m' importa del mondo' / 'Datemi un martello' lançado no Japão. Na foto se vê cena do filme 'La noia' com Catherine Spaak & Horst Buchholtz, cuja musica-tema é 'Che m' importa del mondo'.


45 rpm 'Wait for me' japonês.


compacto-simples lançado no Brasil em 1966.


'Sur ton visage une larme' é 'Una lacrima sul viso' em francês.


'Stasera no no no' com a dupla April Stevens & Nino Tempo, defendia em San Remo 1964. 




Luigi Tenco in happier times. 

  
classical Gino Paoli with his dark spectacles and a fag hanging down his lips...